The Godfather


Filmes de Abril de 2006
1.Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989) Dir.: Peter Weir 100
2.A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, 1988) Dir.:Martin Scorsese 92
3.As Panteras Detonando (Charlie’s Angels Full Throtle, 2003) Dir.: McG 05
4.A Malvada (All About Eve, 1950) Dir.: Joseph L. Mankiewicz 99
5.O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940) Dir.: Charles Chaplin 100
6.O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish, 1983) Dir.: Francis Ford Coppola 91
7.O Chamado (The Ring, 2002) Dir.: Gore Verbinski 89
8.Onze Homens e um Segredo (Ocean’s Eleven, 2001) Dir.: Steven Soderbergh 75
9.Todos os Homens do Presidente (All The President’s Men, 1976) Dir.: Alan J. Pakula 79
10.Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s, 1961) Dir.: Blake Edwards 90
11.O Príncipe do Egito (The Prince of Egypt, 1998) Dir.: Brenda Chapman, Steve Hickner & Simon Wells 89
12.Kiriku e a Feiticeira (Kirikou et la Sorciére, 1998) Dir.: Michel Ocelot 05
13.Tratamento de Choque (Anger Management, 2003) Dir.: Peter Segal 05
14.A Felicidade não se Compra (It’s A Wonderful Life, 1946) Dir.: Frank Capra 100
Comentários: Chaplin=gênio, só mesmo um gênio para misturar filme de guerra com o manifesto pacifista mais genial de todos os tempos. A Malvada é genial, Anne Baxter e Bette Davis com atuações inacreditáveis. O Chamado é muito bom também, mas eu acho que eu tenho sangue frio: eu só senti medo em DUAS cenas! (Sâmara sainda da TV – genial uso da tecnologia – e durante a exibição na íntegra do vídeo). Além do medo de enlouquecer com o filme, é realmente perturbador. Ocean’s Eleven é bem interessante e com um elenco invejável (sem estourar o orçamento!), mas ao final da projeção resta uma pergunta: Por que o Brad Pitt passa o filme todo comendo? Todos os Homens do Presidente é um filme bom que, incrivelmente, não é nem um pouco cansativo, o que aconteceria se o filme fosse dirigido por quase qualquer outro diretor. Apenas a trilha sonora que é razoavelmente ruim. A Felicidade Não se Compra é perfeito. Não se fazem mais filmes assim.
Média: 72,78571429


Escrito por Gabriel Apolinário às 19:19:08
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O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish, 1983) Dir.: Francis Ford Coppola


Hitchcock, o mestre do suspense. Shyamalan, com medo de não ser escritor, escreve roteiros que nos surpreendam no final, mas seus métodos andam batidos. Spielberg, às vezes sinônimo de filme-família. Chaplin, humor inteligente da melhor qualidade. Scorsese, polêmico, temas pesados, câmera nervosa.Coppola, multifacetado e com mil e uma técnicas ainda escondidas do público. Com isso quis mostrar que a maioria dos diretores tem um estilo próprio, por mais variados que sejam seus filmes, eles utilizam normalmente as mesmas técnicas. Scorsese, por exemplo, não agüenta manter a câmera quieta, seja filmando William Dafoe como um Jesus Cristo angustiado ou um Daniel Day-Lewis como um Billy “The Butcher” sanguinário. E Coppola? Será suficiente dizer que ele consegue as melhores trilhas sonoras para perturbar o espectador por noites a fio? Perturbar? Não, a palavra não é essa.

Fotografia, a fotografia é genial, fotografia em PB clara e nítida para representar como vive o irmão de Rusty James, diz no filme que ele é daltônico, mas subentende-se que ele tem visão monocromática, ele não enxerga cores. E é meio-surdo. Como é isso? Questionado sobre, ele responde que é como televisão em preto-e-branco com o volume abaixado. Talvez por isso ele fale baixo, talvez então porque ele aprendeu que gritar é desperdício. E todos dizem que ele é inigualável, Rusty James diz que um dia será como o irmão, então um contido Laurence Fishburne, o Midget, responde: “Você nunca será igual a ele por causa de uma coisa: eu nunca sei o que ele está pensando e sempre sei o que você está pensando.” E é essa a verdade, o que o filme mostra é uma personalidade completamente dispare dos dois irmãos, como os filhos de Michael Sullivan, em Estrada para Perdição e também como a relação entre o filósofo Quincas Borba e Rubião, no Quincas Borba, de Machado de Assis, parece também que até o cachorro Quincas Borba entendia o que Borba (o filósofo) dizia, mas Rubião nada entendia. Vemos então um paralelo acidental entre Quincas Borba (o filósofo e o cachorro) e Rubião com Rusty James, seu irmão e seu pai. O pai é um homem experiente, ainda que sempre apareça bêbado, está sempre mais lúcido do que os outros, incluindo talvez o filho mais velho. Duas personalidades a serem estudadas a do pai e a do filho, ao mesmo tempo em que são calmos, são explosivos, calculistas e sentimentalistas, Rusty ferido, seu irmão pega uma garrafa de bebida alcoólica, pede para Rusty beber um pouco, ele o faz, o irmão pega a garrafa de volta, segura-a por um tempo, pensa, derrama o resto na ferida aberta de Rusty James. Quem assistiu o filme sabe, foi algo muito previsível, mas não daquele modo, o que se passava na cabeça do irmão que diz que a Califórnia é como uma linda mulher viciada em heroína: ela não vê as próprias feridas, nem se os outros contarem.

Quanto aos nomes dos personagens, também é uma pergunta sem resposta que o filme deixa, começando pelo fato de que Rusty James é chamado por esse apelido pelo filme todo, uma única vez seu pai o chama de Russel James, mas seus amigos o chamam de Rusty James, sem abreviar, não é assim que as pessoas falam e isso torna o filme genial: “Biff Wilcox is looking for you, Rusty James. He's gonna kill you, Rusty James.” Essa repetição do nome Rusty James, não é usual, nem um pouco usual. Então, uma grande interrogação surge: Qual é o nome do irmão de Rusty, ele é um dos que recebe mais destaque, sua aura de mistério é destacada e relevada por um nome desconhecido, ele é chamado de Motorcycle Boy, apenas isso. Logo no início do filme aparece a mensagem “The Motorcycle Boy reigns” pichada num muro e numa placa. A incógnita que substitui seu nome é um tipo de coroa ou cetro para a pessoa mais respeitada da cidade. Ele é reverenciado, como o capitão Kurtz, em Apocalypse Now, e novamente Dennis Hooper é o único que o entende, o único que sabe quem é o “selvagem da motocicleta”. Aí vejo mais comparações no filme. Ele é como um prólogo de West Side Story, mostrando o que aconteceu após o fim das gangues, como um prelúdio de Sin City, que também tem o ator Mickey Rourke numa performance invejável. Além de coexistir com Apocalypse Now e Clube da Luta dentre os filmes reflexivos e que terminam com uma grande interrogação.E o nome do pai de Rusty James também é uma incógnita. Os ex-membros das gangues ou que participaram de algum modo nelas recebem nomes, exceto o irmão de Russel e seu pai: os elementos misteriosos.

E o filme abusa de sombras, reflexos, imagens através de vidros, água. É incrível e inacreditável quando podemos reconhecer emoções na sombra de Rusty James durante a conversa com Smokey do lado de fora do Bilhar do Benny ou mesmo quando se vê a sombra do policial Patterson numa parede. Então a fotografia linda do filme, além da metade, mostra uma nova cor, peixes de briga num aquário, dentre as únicas figuras coloridas do filme, num ponto em que já estamos familiarizados com os peixes, pois já os vimos numa cena rápida sem que eles recebam qualquer destaque. Vermelhos, verdes e azuis, são peixes de briga e por isso vivem separados, se forem colocados no mesmo aquário começam a brigar, um deles morre, o outro volta á vida normal. E o irmão de James se pergunta: será que, colocados no rio eles ainda brigarão? Eles brigam por espaço, no rio eles talvez não briguem. No rio eles têm espaço, no rio eles têm liberdade. Vimos os peixes coloridos, o irmão de Rusty se lamenta por não poder ver suas cores. Aparece uma cena completamente colorida, três peixes, grama verde, reluzindo, água, outra cena assim, reflexo de Rusty James na viatura policial. De volta ao PB, muro, a mensagem “The Motorcycle Boy reigns” aparece num momento em que significa o completa oposto. Recebemos uma resposta insatisfatória.

Matt Dilon em boa forma. Laurence Fishburne contido. William Smith sensato. Nicolas Cage sem destaque. Diane Lane como complemento ao filme. E os destaques: Mickey Rourke numa das duas melhores atuações de sua carreira (a outra é em Sin City) e Dennis Hooper completamente convincente, roubando a atenção de todos em suas cenas, quebrando a aura de mistério de Rourke, afinal, o único que o entende está por perto, mas ninguém o entende também. Nem o sorriso perene no rosto de Rourke se destaca. E a trilha sonora é incrível, na maioria das vezes com sons naturais, intrumentos musicais tocando solo, etc. Iincrível flexibilidade de Coppola.

“Father: No, your mother... is not crazy. And neither, contrary to popular belief, is your brother crazy. He's merely miscast in a play. He was born in the wrong era, on the wrong side of the river... With the ability to be able to do anything that he wants to do and... findin' nothin' that he wants to do. I mean nothing.”//91/100 (Obs.: Não consegui imagens do filme para postar aqui)



Escrito por Gabriel Apolinário às 19:22:56
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Filmes de Março (2006)
1.Indiana Jones e a última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989) Dir.: Steven Spielberg 92
2.Robôs (Robots, 2005) Dir.: Chris Wedge 52
3.Closer – Perto Demais (Closer, 2004) Dir.: Mike Nichols 97
4.Diário de uma Paixão (The Notebook, 2004) Dir.: Nick Cassavetes 90
5.Face a Face com o Inimigo (Knight Moves, 1992) Dir.: Carl Schenkel 58
6.Ray (Ray, 2004) Dir.: Taylor Hackford 64
7.Gangues de Nova York (Gangs of New York, 2002) Dir.: Martin Scorsese 80
8.O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939) Dir.: Victor Fleming 93
9.As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995) Dir.: Clint Eastwood 95
10.Hair (Hair, 1979) Dir.: Milos Forman 90
11.Piratas do Vale do Silício (Pirates of Silicon Valley, 1999) Dir.: Martyn Burke 40
12.Aladdin (Aladdin, 1992) Dir.: Ron Clements e John Musker 95
13.A Vila (The Village, 2004) Dir.: M. Night Shyamalan 47
14.O Retorno da Múmia (The Mummy Returns, 2001) Dir.: Stephen Sommers 23
15.Lisbela e o Prisioneiro (Lisbela e o Prisioneiro, 2003) Dir.: Guel Arraes 71

Comentários: Closer é perfeito, com uma trilha sonora incrível e uma trama bem feita que ri da condição humana, mas me expliquem porque a Natalie Portman ganhou o Globo de Ouro na categoria de melhor Atriz Coadjuvante: o filme todo roda em torno dela! E também vale pelo papel mais humano do Law.. The Notebook (que recebeu um horrível título em português) é muito bom até a metade, apesar da atuação do inexpressivo Ryan Gossling, mas escorrega no final. É emocionante, convenhamos, mas previsível demais, vale pela atuação da Rachel McAdams e pela fotografia. Ray é uma boa homenagem, apesar da fraca direção de Hackford, Foxx carrega o filme todo nas costas. Gangues de Nova York é o presságio da decadência de Scorsese: os movimentos maravilhosos na câmera e o posicionamento genial continuam, sem falar dos cortes abruptos, mas Martin, como declarado mal-contador de histórias não soube transformar este filme em seu Era Uma Vez na América (se ele quisesse realmente, era possível).O Mágico de Oz fica bem melhor na segunda vez. Desconsiderem a nota de As Pontes de Madison, eu preciso rever este filme para ter certeza de sua nota. Hair é interessantíssimo e muito curioso. O retorno da Múmia melhora um pouco na revisão.
Média: 72,46666667

Escrito por Gabriel Apolinário às 17:43:53
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A Vila (The Village, 2004) Dir.: M. Night Shyamalan


Medo, sentimento inato de sobrevivência e proteção. Todos nós já sentimos medo, alguns mais outros menos, os medos mudam, mas nos acompanham a vida toda. Medo: substantivo masculino, do latim metu. 1 Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror. 2 Apreensão. 3 Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. Substantivo masculino e plural Gestos ou visagens que causam susto (fonte: Moderno dicionário da língua portuguesa Michaelis). É um filme sobre o medo, com está claro.

Todo mundo já deve ter falado e escutado que Shyamalan não é o mesmo de antes, depois de que um roteiro seu foi recusado ele decidiu escrever o melhor roteiro do mundo. Escreveu O Sexto Sentido, início da “linhagem-caí-de-novo-com-finais-surpreendentemente-surpreendentes”, seu primeiro filme de sucesso, rendeu um bocado nas bilheterias. Depois apareceu Corpo Fechado, que eu gostei mais do que O Sexto Sentido. Então veio o Sinais, que eu não assisti, nem sei se pretendo. E todo mundo também deve saber que Shyamalan tem um estilo completamente ame-ou-odeie, não há meios-termos em seus filmes, o que gera polêmicas.

E com esse o diretor continua sua linhagem, mas agora o final não é como o de Corpo Fechado e nem se compara ao de O Sexto Sentido, é algo previsível, e justamente por ter como único objetivo manter segredo, ainda mais com um lead de “não conte o final”, o filme falha com um final fraco e completamente sem graça, previsível ao extremo, provavelmente não teremos mais aqueles sustos de antigamente quando Shyamalan nos dizia o que acontece com o personagem do Bruce Willis no final (por que tanto Corpo Fechado quanto O Sexto Sentido tem o Willis).

De volta ao filme. Comecei a assistir com grandes expectativas, ignorava os comentários ruins, até já tinha esquecido o que tinha lido neles além de que o final é previsível. Fiquei decepcionado, resumindo tudo o que direi: o filme é uma grande bobagem. Se quiser não precisa continuar lendo, vá locar Sin City, que é um lançamento em DVD muito mais interessante. Primeiro que ele não tem uma atmosfera de terror/suspense, não tem nada que realmente envolva o espectador, tornando-se enfadonho em certas cenas por causa da futilidade e até mesmo inutilidade destas, as seqüências “sociais”, com os moradores da vila em alguma festividade são chatíssimas, por exemplo.

Sinopse? Se você quiser descobrir o final antes de ver o primeiro fotograma, não leia, é um final muito previsível, muito mesmo, mas eu já disse isso. O filme se passa em uma vila do fim do século IX, aparentemente o lugar perfeito para se morar, com todos vivendo em harmonia. Mas a paz é abalada quando os habitantes descobrem sobre “Those we don’t speak of” (“aqueles de quem não falamos”), misteriosas criaturas da floresta que ameaçam a paz na vila. Mas o jovem Lucius Hunt deseja passar pela floresta. Lucius é apaixonado pela cega Ivy Walker, que atrai a atenção de Noah Percy, um doente mental que põe em risco a segurança da vila e a vida de Lucius, fazendo com que verdades sejam reveladas.

É uma premissa boa demais para um roteirista cujo medo é não ser um autor. E, utilizando um artifício criado por ele mesmo em 1999, Shyamalan cria um final medíocre para deixar aqueles que não prestaram a mínima atenção no filme dizendo “Nossa! Eu não esperava isso!”. Patético ou bobagem? Ou os dois ao mesmo tempo?

Bobagem, bobagem, bobagem. Sim, e nem o medo o filme explora, sendo que o medo é justamente o que deveria ser mais explorado, mas não está nada lá, é impossível sentir medo, não estamos “ameaçados”, nem os habitantes da vila aparentam sentir medo das criaturas do bosque. Repito: bobagem, e este meu texto também está uma bobagem, você tem dois motivos para parar de ler agora, leitor.

E, Shyamalan o que é isso? Como é que os camponeses podem culpar lobos por tirar a pele de animais e pintar marcas em portas? Até onde eu saiba lobos não sabem nem o que é tinta.

Joaquin Phoenix, que interpreta Lucius me parece promissor, este ano poderia ter levado o Oscar por Johny e June se não fosse o Phillip Seymour Hoffman (o melhor ator coaduvante de Hollywood, que, ironicamente, ganhou o Oscar de melhor ator), também tem uma atuação competente em Gladiador e agora aparece insosso e inexpressivo, “preso”, de jeito nenhum ele se parece à vontade, não consegue demonstrar tudo o que a personagem permite, passa o filme todo com a mesma cara. Adrien Brody, uma surpresa, é o destaque do filme todo, desde a cena inicial, no almoço/café-da-manhã, não sei direito, vi-o dentre tantos outros rostos conhecidos, ele se destacou, isso é o bastante, depois aparece em close, está engraçado, convincente e, acima de tudo, à vontade. OUVIU PHOENIX? Tenho certeza que não. E a Bryce Dallas Howard está contida, talvez seja por causa da personagem, é uma cega, interpretar cegos é difícil, aliás, dificílimo, os únicos que conseguiram se sobressair e realmente interpretar um cego decentemente foram Al Pacino, no maravilhoso Perfume de Mulher e Jammie Foxx no correto Ray.

De bom (e há muito pouco) além da atuação de Brody, há a trilha sonora (envolvente no sentido de conduzir ao espectador as sensações que ele precisa sentir), a direção de arte, a fotografia interessante (apenas isso) e o figurino dos camponeses, incluindo os tecidos amarelos fortes e ARTESANAIS! Com exceção, claro, do figurino do monstro, que é realmente ridículo. Enfim, tinha tudo para dar certo, não fossem o roteiro (com mais furos que o Michael Corleone quando morre), a direção surperestimada, as atuações simplórias e aquele monstro patético. BOBAGEM. Corrigindo, tinha tudo para ser um filme excelente, mas não é muito mais do que uma bobagem. //47/100


 



Escrito por Gabriel Apolinário às 18:04:24
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Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, 1994) Dir.: Frank Daranbont


Sinceramente, não sei melhor jeito de estrear nos cinemas. Um fracasso de bilheterias, detonado pelos críticos e depois um sucesso nas locações. Depois das sete indicações ao Oscar (sem ganhar nenhuma) o público ficou curioso sobre o que tem de mais esse “filme de prisão de duas horas e vinte” e o filme virou o título mais alugado em vídeo. Como diz o pôster: “Fear can hold you prisoner. Hope can set you free”, isso resume o filme e os dois personagens. Mas foi lançado no mesmo ano que Forrest Gump, Pulp Fiction, entre outros de gente mais conhecida do que um estreante fã de Stephen King.

A maravilhosa trilha sonora de Thomas Newman está tocando até agora em minha mente, a música inicial que Andy houve no rádio. Ele está ali, bêbado, com uma arma carregada na mão, toca a música. Ela é interrompida e somos arremessados na história, uma cena de tribunal clássica, mas desta vez o personagem é o réu, o advogado da acusação fala, ficamos por dentro da trama, Andy Dufresne recebe duas penas de prisão perpétua, uma por cada vítima. Então, somos apresentados à prisão de Shawshank. Morgan Freeman e sua voz inigualável nos põem a par do que acontece, todos em direção aos portões, eles querem apostar quem vai chorar na primeira noite. A primeira noite na prisão é sempre a mais difícil. Muito do que é mostrado é real, inclusive os presos veteranos gritando em coro qualquer coisa que desmoralize os novatos, eles realmente diziam o que fariam com os novatos. “Fresh fish! Fresh fish! Fresh fish!” Alguém começa a chorar, aparecem os policiais precedidos pelo capitão Hadley, ele tira o preso da prisão e espanca-o, sem aparentar dó ou piedade. Aos olhos de Red (Morgan), Hadley é o pior tipo de pessoa possível, talvez não haja ninguém como ele. São os olhos de Red que nos mostram tudo no filme, tudo o que acontece não passa do que ele via ou imaginava. Durante a cena do espancamento percebemos a sublime fotografia, destacando Hadley e o preso estirado no chão, numa visão lateral sem mostrar claramente os personagens, todos iluminados por trovões ao fundo que transformavam os personagens em sombras, formas negras se mexendo, quando acaba nós acabamos de ver uma cena incrivelmente bem-feita e sentimos pena do prisioneiro estirado no chão. Sangrando, com certeza.

Adaptado do livro “Rita Hayworth e a redenção em Shawshank”, de Stephen King, Um Sonho de Liberdade conta a história de Andy Dufresne, acusado de matar sua esposa e seu amante jogador profissional de golfe, ele alega (obviamente) que é inocente, mas vai preso. Ao chegar na prisão ele consegue amizade com “Red”, alguém que “consegue coisas” na prisão, qualquer coisa viável ele pode conseguir com seus naturais 20% de lucro. No presídio ele estranhamente consegue algum prestígio e diz que precisou ser preso para virar um ladrão. Com um final surpreendente e muito bem amarrado, cada detalhe é explicável, não sobram naturais furos de histórias adaptadas. Só não fica bom o título em português, em inglês ele significa algo como “A Redenção em Shawshank”.

Nos extras os atores comentam que o filme foi mal de bilheteria, mas lembram também que muitos clássicos tiveram bilheteria ruim e ascenderam ao hall de clássicos eternos, assim foi com Cidadão Kane (que as pessoas não gostaram por revelar todos os esquemas da televisão) e A Felicidade Não se Compra (tachado como clichê e melodramático pela crítica). Quando os filmes foram realmente descobertos pelo público livre de qualquer comentário ele foi muito bem recebido e os críticos se esconderam atrás de suas mesas tentando se redimir. Por medo, talvez, eles provavelmente falaram muito bem dos cinco filmes ruins lançados depois da ascensão de um desses.

A penitenciária de Mansfield, Ohio, foi o local perfeito para filmarem, com arquitetura meio vitoriana com um “quê” de castelo e aparência imponente (destacada quando é mostrada de baixo), foi necessária uma reforma para transformar a penitenciária desativada no lugar ideal, cada tijolo valeu a pena.

Quanto às atuações, estão perfeitas, Tim Robbins, com um ar misterioso de quem guarda um grande segredo está realmente muito bom. Morgan Freeman está incomparável como sempre, não precisa mais mostrar seu potencial, já é conhecido e respeitado. Bob Gunton, o temível diretor Warden Samuel Norton, está simplesmente muito bom, com um personagem sem escrúpulos, transformado em vilão por causa de uma única cena, até ela não se tem certeza do que Norton é no filme.Clancy Brown, o Byron Hadley, também está perfeito, o pior dos policiais, temido por todos os presos. Gil Bellows também está bom como Tommy. Mark Rolston, o Bogs, assim como o resto do elenco e James Whitmore está perfeito como Brooksie Hatlen.

E a melhor cena do filme, simplesmente inesquecível, é a cena em que Andy Dufresne coloca uma ópera para tocar, ele está ali no escritório, sentado com um sorriso no rosto, liga o amplificador para que toda a prisão escute, e todos os auto-falantes sai um som divino, uma música maravilhosa, no pátio, os detentos ouvem aquela música e se esquecem de onde estão, pelo menos uma vez eles voltaram a ser livres por causa daquela música, no escritório onde está Andy tem um guarda preso no banheiro, a porta está trancada, o diretor Norton e os guardas estão todos do lado de fora pedindo para que Dufresne abra a porta. Ele não o faz e estampa um sorriso maior ainda no rosto ao aumentar o volume quando Norton pediu para que ele desligasse o rádio. //100/100


 



Escrito por Gabriel Apolinário às 20:33:42
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Círculo de Fogo (Enemy at the Gates, 2001) Dir.: Jean-Jacques Annaud


ATENÇÃO: Esta análise pode conter spoilers
Do mesmo diretor do maravilhoso O Nome da Rosa, Círculo de Fogo conta a história real de Vassili Zaitsev, atirador de elite russo que participou de uma batalha em Stalingrado, seu objetivo maior era matar seu algoz, para que tudo continuasse como antes e ele voltasse para a guerra, depois de findo o combate. De um livro de história enorme, Alain Godard leu três páginas e ficou maravilhado com a história de Zaitsev, Jean-Jacques Annaud o ajudou a escrever o roteiro e aqui está o filme, um filme maravilhoso, diga-se de passagem.

Em 1942 o nazismo deixou um rastro de destruição sobre a Rússia, em Stalingrado, onde se trava um combate que decidirá a quem pertencerá a Rússia, se aos comunistas ou aos nazistas, sob o comando de Kruschev, os russos começaram desanimados, num dos primeiros ataques nazistas vários morreram, é uma cena inicial parecida com a de O Resgate do Soldado Ryan, em que os russos atravessam o rio Volga e são alvejados. Num campo de batalha, outras centenas morrem e sobram Danilov e Zaitsev no campo, não se vê ninguém, exceto inimigos do outro lado e desatentos, comemorando a vitória. Danilov pega um rifle e tenta matá-los, está sem balas, Zaitsev, que tinha balas, pede o rifle e atira, mata todos os inimigos com tiros certeiros. Então Danilov descobriu que a pátria precisava de um herói, alguém invencível que pudesse incentivar a todos a combater, Kruschev lhe pergunta se ele o conhece, ele responde afirmativamente. Deste ponto surge na primeira página do jornal a história épica (exagerada, pois esse é o trabalho da mídia) do combatente Vassili Zaitsev e Danilov diz a ele que neste momento Stalin está tomando chá e memorizando o nome dele. Os marxistas conseguiram um herói. Graças a propaganda Zaitsev se tornou atirador de elite (um franco-atirador). Os alemães, obviamente estão a par de tudo o que acontece e enviam alguém para dar cabo da "inspiração russa", eles chamam o Major König, melhor artilheiro nazista. Enquanto a cidade arde em chamas, uma batalha particular entre Vassili e König é travada, ambos querem provar sua honra, coragem e querem vencer uma batalha para a nação. Sendo ambos auxiliados por um espião duplo, Sacha Filipov, uma criança que engraxa os sapatos de König e mora perto da casa de Tania Chernova.

Considero este melhor do que o outro trabalho de Annaud que eu assisti, a fotografia é completamente adequada e muito bonita, as câmeras estão todas no lugar certo, tudo como deveria estar, cada momento nos mostra a coisa certa, tensão é passada quando se deve e nunca quando não, para isso as músicas auxiliam muito, todas adequadas e no momento certo. Uma das melhores coisas é quando se mostra a mira do rifle do atirador, para o que ele está observando, pois nos faz passar por quem observa, seja Zaitsev, seja König, e sentir tudo o que o personagem ou mesmo o que a equipe imaginava que os verdadeiros König e Zaitsev sentiram. Além da mira, isso é passado no título original, que significa algo como "inimigo nos portões", que, além de representar que os nazistas estão chegando e que estão às portas Rússia travando um combate essencial que definirá se eles seguem ou recuam, representa o combate entre os dois atiradores, um deles espera, o outro avança e o que espera está no lugar certo, nos "portões", ou seja, muito perto, encostado no inimigo, apenas tem de acertá-lo. O título em português também faz seu papel e incrivelmente consegue representar as duas coisas que o anterior sem simplesmente traduzi-lo: Círculo de fogo tanto pode ser o cerco que os nazistas fazem aos russos como pode representar o cerco que König faz a Vassili.

As atuações estão todas muito boas, começando pela maravilhosa atuação de Jude Law, ele foi atraído pelo roteiro por causa do aspecto de um franco-atirador, sempre solitário, por horas esperando que o inimigo chegue para matar com um tiro certeiro, nenhum mais, assim ele ficou com o papel principal e fez o que deveria, na verdade mais do que o papel pedia. Ed Harris por sua vês está muito melhor do que o protagonista Jude Law, ele foi atraído pelo roteiro porque os franco-atiradores ficam horas sentados esperando, parados, à espera, mas quando o momento chega, eles estão preparados e podem matar qualquer um que passar. Rachel Weisz está boa, seu papel não tem tanto destaque como os protagonistas e Danilov, mas ela está numa parte importante da história, fazendo o que lhe é requerido. Joseph Fiennes, o comissário Danilov, está bom no papel, tem bastante destaque mas o filme todo se baseia quase que somente nos combates. Bob Hoskins, Nikita Kruschev, também está bom no papel. Ron Perlman também está bom no papel apesar de sua curta aparição, ele é um personagem importante que oferece alguma esperança a Vassili por ter sido companheiro de estudos de König.

Apesar de algumas cenas dispensáveis, não as citarei, é um bom filme de guerra, cativante e que prende a atenção, desmistifica todo o heroísmo que alguém tachado como herói costuma receber, mostra esquemas da mídia que estamos todos acostumados a ver por aí (infelizmente, a maioria das pessoas não vê) e o mais interessante é que cada combate é completamente diferente, o ambiente é a principal coisa para deixa-lo diferente e o fato de Zaitsev estar sempre acompanhado e mudando sua posição enquanto König permanece estático mostra diferentes táticas de batalha, enquanto um prefere combater em grupo, com um auxiliando o outro mas sempre com Zaitsev sendo mais importante, o outro está sempre parado, imóvel esperando o momento, analisando tudo e sabendo quando é possível e quando é necessário fazer. //90/100


 



Escrito por Gabriel Apolinário às 08:24:27
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OSCAR 2006

Surpresa sim, mas esta era a segunda opção da academia, não concordo com o prêmio de melhor filme de Crash, mas gostei por ele tomar o outro Oscar do Ang Lee. Surpresa também no prêmio de Ritmo de um Sonho pela canção "It's Hard out here for a pimp", não esperava vencer um rap, muito menos um rap que fala sobre um cafetão. A maioria das categorias foram completamente previsíveis, outra surpresa na premiação de Tsotsi, por melhor filme estrangeiro, ao invés de Paradise Now. E George Clooney foi agraciado com um Oscar por melhor ator coadjuvante por Syriana, um meio da academia se desculpar por dar o Oscar a Ang Lee. Prêmio Honorário a Robert Altman, merecidíssimo. Poucos filmes receberam dois ou mais filmes, Brokeback Mountain e Crash foram os campeões nas categorias principais e Memórias de Uma Gueixa e King Kong nos aspectos técnicos. Só para constar, Dirty Love ganhou o Framboesa de Ouro (merecido, merecidíssimo).

MELHOR FILME: Crash – No Limite

MELHOR DIRETOR: Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain)

MELHOR ATOR: Philipe Seymour Hoffman (Capote)

MELHOR ATRIZ: Reese Witherspoon (Johnny e June)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: George Clooney (Syriana)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Crash – No Limite

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: O Segredo de Brokeback Mountain

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Tsotsi

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO: Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais

MELHOR DOCUMENTÁRIO: A Marcha dos Pingüins

MELHOR TRILHA SONORA: O Segredo de Brokeback Mountain (Gustavo Santaolalla)

MELHOR CANÇÃO: It's Hard Out Here for a Pimp (Ritmo de um Sonho)

MELHOR FOTOGRAFIA: Memórias de uma Gueixa

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Memórias de uma Gueixa

MELHOR MAQUIAGEM: As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

MELHOR FIGURINO: Memórias de uma Gueixa

MELHOR MONTAGEM: Crash – No Limite

MELHOR EFEITO VISUAL: King Kong

MELHOR CURTA-METRAGEM: Six Shooter

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: The Moon and the Son: An Imagined Conversation

MELHOR SOM: King Kong

MELHOR EDIÇÃO DE SOM: King Kong

MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM: A Note of Troumph: The Golden Age of Norman Corwin

Lista completa com o número de Oscars de cada filme.
3-Crash - no limite; Memórias de uma gueixa; O segredo de Brokeback Mountain; King Kong
1-As crônicas de Nárnia; Ritmo de um sonho; Johnny e June; The moon and the son: an imagined conversation; Six Shooter; A note of triumph: The golden age of Norman Corwin; A marcha dos Pingüins; O jardineiro fiel; Capote; Wallace & Gromit: A batalha dos vegetais; Tsotsi; Syriana
0-Terra fria; Ponto final (Match point); A lula e a baleia; Marcas da violência; A noiva cadáver; O castelo animado; Paradise Now; Don't Tell; Feliz Natal; Uma mulher contra Hitler; Harry Potter e o cálice de fogo; Orgulho e Preconceito; Batman begins; Boa noite, e boa sorte; O novo mundo; A fantástica fábrica de Chocolate; Sra. Henderson Apresenta; Darwin´s Nightmare; Enron: The smartest guys in the Room; Murderball; Street Fight; The death of Kevin Carter: Casualty of th Bang Bang Club; God sleeps in Rwanda; The Mushhroom Club; Badgered; The mysterious geographic explorations of Jasper Morello; 9; One man band; Ausrersser (The Runaway); Cashback; The last farm; Our time is up.



Escrito por Gabriel Apolinário às 18:03:09
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Indiana Jones e a última Crusada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989) Dir.: Steven Spielberg


Atenção: contém spoilers
Adiantando o assunto: o filme é muito bom e consegue ser melhor que o primeiro, algo raríssimo se tratando de filmes. Aguardamos pelo quarto episódio com duas perguntas: Será Spielberg capaz de fazer um filme à altura do terceiro? Será que Harrison Ford vai conseguir lutar, cavalgar e quase morrer uma centena de vezes como ele fazia há 17 anos? Teremos que aguardar para saber, uma espera angustiante, diga-se de passagem, mas enquanto o novo filme de Jones não chega temos um maravilhoso pôster do Homem-Aranha de uniforme preto, mas isso é outro assunto.

Novamente com tema religioso e um pouco diferente da “receita Jones” que citei na análise do segundo filme, também possui menos estereótipos e OS NAZISTAS VOLTARAM! Convenhamos, eles são os inimigos perfeitos dos filmes de Indy. E agora o filme possui um final totalmente inesperado e surpreendente, não nos faz repensar o filme todo e nem quer se tornar a maior surpresa do cinema, é, simplesmente, um final inesperado que não tem nada a ver com a história.

“Dismount!” Neste filme, após um prólogo explicando o medo por cobras de Indiana e um tributo aos tempos de escoteiro de Steven Spielberg, Indy procura por seu pai, raptado pelos nazistas que querem o Santo Graal, pois o Sr. Henry Jones é o maior conhecedor da relíquia do mundo. Obviamente, os Jones irão atrás do Santo Graal também para evitar que os nazistas o encontrem.

Com certeza, uma das melhores seqüências já produzidas pelo cinema, com um roteiro excelente, intenso clima característico da série e interage com os episódios anteriores por meio de citações e explicações. Agora com mais tecnologia no filme, perseguições alucinantes a bordo de aviões com um Sr. Jones desorientado, de moto, um longo combate a bordo de um tanque de guerra, Jones criança correndo por um trem de circo, Jones se passando por funcionário do aeroporto e socando nazistas sem passagens e efeitos especiais muito bons.

Agora, além do tema do filme, há a relação entre pai e filho dos Jones, muita coisa sobre a família de Indy e um plano de fundo dramático além de toda a aventura e cenas de ação cada vez mais longas e cativantes. Esta é a principal e, com certeza melhor, série de aventura de Hollywood. Aguardamos pela quarta parte. Aguardamos ansiosamente pela quarta parte.

E, uma das surpresas do filme, foi que o führer Hitler apareceu como ídolo dos alemães nazistas, numa cena incrível dentro das fronteiras inimigas, em que Indy e Henry se vestem de soldados alemães para recuperar o caderno de Henry e Hitler passa por eles, olha nos olhos de Indy e não suspeita nem um pouco que esteja frente a frente com seu algoz (afinal, Indiana está atrás do artefato que garantirá a vitória ao eixo). Por isso este filme está menos maniqueísta que os outros, pois apresenta um führer adorado.

Com locações em Berlim, Veneza, Utah e outras cidades mais, inimigos ávidos pela vitória que parecem mais convincentes que nos outros filmes e percebo agora a última parte da “receita Jones”: no fim do filme Jones testemunha o poder do artefato que procura. Neste o final é bem mitológico, envolvendo personagens históricos, cidades desaparecidas, 700 anos de espera, vida eterna e um efeito especial muito bem feito sobre envelhecimento e morte em segundos.

Como disse, o final é impressionante, contraditório se tratando do mesmo Spielberg que fez filmes brilhantes mas escorregou no final, tratando-o, às vezes, muito dramaticamente, como em A.I. e Minority Report ou deixando-o vago, como em Guerra dos Mundos. Esse filmes nos lembra da era de ouro de Spielberg, quando ele sabia conduzir o filme inteiro, até começarem os créditos.

Além de tudo, esse é o filme mais traiçoeiro da trilogia, a frase “não confie em ninguém” resume a película, todos os personagens podem se tornar vilões, se revelar como aliados quando nós os julgávamos maus, ou então vilões em busca de redenção (mas, abyssus abyssum invocat!), enfim, não confie em ninguém.

Nas atuações, estão todos muito bem, Harrison Ford em melhor forma que no primeiro filme, Sean Connery muito bem, ele é um bom ator, mas anda escolhendo os projetos errados ultimamente, como A Liga Extraordinária. River Phoenix, o jovem Indiana, está comparável a Ford nas cenas de ação, pois, além disso ele não precisou atuar muito (o garoto aparece por 12 ou 14 minutos). Nos papéis secundários e vilões estão todos em boa forma também, começando por Denham Elliot, o Marcus, Alison Doody, convincente como Dra. Schneider, John Rhys-Davies, Julian Glover, etc. //92/100


  

Escrito por Gabriel Apolinário às 09:28:52
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Filmes de Fevereiro
1.A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960) Dir.: Federico Fellini 83
2.Estrada para Perdição (Road to Perdition, 2002) Dir.: Sam Mendes 94
3.Escorpião Rei (The Scorpion King, 2002) Dir.: Chuck Russell 00
4.As Bruxas de Eastwick (The Witches of Eastwick, 1987) Dir.: George Miller 60
5.Fargo (Fargo, 1996) Dir.: Joel Coen 99
6.Sr. e Sra. Smith (Mr. and Mrs. Smith, 2005) Dir.: Doug Liman 65
7.Barry Lyndon (Barry Lyndon, 1975) Dir.: Stanley Kubrick 100
8.Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981) Dir.: Steven Spielberg 87
9.Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, 1984) Dir.: Steven Spielberg 61
Comentários: Estrada para Perdição continua o mesmo na revisão, já O Escorpião Rei fica pior (o que não altera em nada a nota). As bruxas de Eastwick é diferente e estranho, de qualquer jeito, vale a pena. Fargo é maluco e, ainda por cima, aquela mensagem de “história baseada em fatos reais” que aparece no começo convence mesmo, nem as maluquices do roteiro conseguem negar isso. Sr. e Sra. Smith é diferente e interessante, não me surpreenderia se algum dia estivesse passando na TV aberta. Barry Lyndon é de Kubrick, isso significa atestado de qualidade.
Média: 72.1111...


Escrito por Gabriel Apolinário às 09:24:37
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Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, 1984) Dir.: Steven Spielberg


Atenção: spoilers deste filme e do primeiro da trilogia Indiana Jones
Inegavelmente bom, mas com certeza pior que o primeiro, talvez por ser místico demais, o primeiro apresenta a Arca da Aliança e chega a mostrar o artefato demonstrando a influência Divina, este segundo vem com pedras mágicas hindus que foram tomadas por uma seita milenar desaparecida e a falta da pedra está assolando a região com morte e desolação. É um clichê bem batido, não? Talvez hajam mensagens subliminares escondidas no filme que dizem: “esqueça esse roteiro batido e goste do filme”

Depois de dois filmes da série percebemos a enorme quantidade de estereótipos que ficaram escondidos no primeiro, talvez o terceiro filme seja ainda mais revelador e eu volte a falar sobre clichês na análise dele. Com o segundo filme da trilogia eu vi que há uma receita, o roteiro de George Lucas segue uma lógica certeira, não como errar com ela: Primeiro aparece Jones numa missão paralela, pequena, nunca mais que meia hora e com um grande combate ou fuga de alguma armadilha em que o Dr. Jones será enganado por alguém. Então ele é levado para a missão principal do filme, contratado pelo governo ou requisitado por nativos de florestas esquecidas pelo mundo (sinceramente, nazistas são vilões muito mais interessantes que cultistas, mas a 2ª guerra mal havia começado em 1935 e Hitler não era grande coisa na época – ele serviu na 1ª guerra como um soldado normal). Todos os filmes também possuem alguma mulher que acompanhará Jones, passará a odiá-lo no meio do filme e no final...há, vocês já sabem.

Os efeitos especiais garantiram um Oscar ao filme, mas hoje eles parecem datados, o claro uso de chroma key quando Jones, Willie e “Baixinho” descem o rio de bote. Mas não havia nada melhor na época (o diretor poderia soltar os atores num bote num rio de verdade, mas seria processado pelos atores minutos depois), portanto, deixemos o mestre Spielberg em paz. Talvez aquela fosse a época errada para fazer o filme, mas, de qualquer jeito, não deixa de ser um filme divertido, logo, eu repito: deixemos o mestre Spielberg em paz.

Neste filme, após fugir de uma luta numa boate em Xangai com a cantora Willie Scott, Jones vai parar num vilarejo na Índia onde as crianças foram raptadas para trabalhar numa mina através da seita tugue que roubou a pedra mágica do vilarejo, então, Jones parte para recuperar as pedras e as crianças, tendo que evitar se transformar num servo do diabólico culto. Short Round (ou Baixinho, em português) passa o filme todo ao lado de Jones ajudando na missão. Bem clichê, não? Mais até que o primeiro.

A cena em que Jones descobre o culto tugue me lembrou uma cena semelhante do primeiro filme Scooby-Doo. Também achei o filme muito mais violento que o primeiro (e, ironicamente, com menos sangue) e completamente desviado das origens do filme, tornando-o completamente dark. Apesar de tudo o filme possui boas cenas, como a cena de perseguição, alucinante e muito mais bem produzida do que as caríssimas seqüências de Velozes e Furiosos e a continuação. Também possui uma cena interessante na ponte de cordas, que cria um suspense não usual na série, que às vezes possui um clima totalmente sem graça apenas por que o espectador sabe que o Dr. Jones sobreviverá, algo que muda na cena da ponte, onde a certeza continua, mas ainda há um suspense sobre o que vai acontecer, Indy corta a corda da ponte e não se sabe quem vai para que lado, o que vai acontecer com cada um, etc. Inclusive se alguém cairá e Indy o salvará numa cena heróica em que o personagem quase morre (por isso eu repito que devemos deixar Spielberg em paz: ele não fez nenhuma cena assim).

Com 3 minutos a mais, sempre com algum plano de fundo religioso, não me surpreenderá se Maomé ou alguma referência ao Islamismo aparecer no quarto filme da série (será que vai ter nazistas?). Resumindo, não deixa de ser interessante, apesar de alguns erros, algumas cenas desinteressantes, etc; A equipe técnica está novamente muito boa, a trilha sonora clássica da série, apesar de aparecer em quase todas as cenas de ação, não fica enjoativa.

As atuações estão um pouco piores que no primeiro filme, Harrison Ford, ao contrário, continua o mesmo do primeiro filme. A participação feminina constante dos outros filmes, neste caso Kate Capshaw, a cantora de cabaré, não tem uma atuação das melhores. Ke Huy Quan, o Short Round, está até convincente, se bem que ele aparece dirigindo como um piloto veteraníssimo de F1. No papel dos vilões estão todos razoáveis.

No fim, Dr. Jones fez transfusão de sangue, descansou por vários meses e foi para a América do Sul, onde começa o primeiro filme da série (Caçadores da Arca Perdida), o que foi, convenhamos, um ato de muito bom gosto, a introdução do menu do DVD prometem muito, com cenas de uma briga de bar contra mafiosos orientais, mas no decorrer do filme percebe-se que o filme não é tudo isso, o pôster também é interessantíssimo, ao contrário da obra. //61/100


 



Escrito por Gabriel Apolinário às 17:18:54
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Hoje, dia 28 de fevereiro, o blog The Godfather completa 1 ano de existência, e para comemorar esta semana terá vários posts especiais, começando pela publicação da análise dos três filmes da trilogia Indiana Jones, com a análise do primeiro filme hoje. Amanhã a análise do segundo filme de Indiana Jones e sexta feira a última parte. E, devido à falta de tempo para postar, começo a partir de hoje a manter um ritmo sempre que possível de publicar dois posts por semana. Na segunda ou terça-feira, uma análise e na quinta ou sexta-feira algum post especial.

Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981) Dir.: Steven Spielberg


Atenção, pode conter SPOILERS
Os temas para filmes de ação e aventura andam saturados, hoje são todos (quase) iguais, sendo que muitas vezes a única diferença são os efeitos especiais, exceções como Sin City e A Identidade Bourne são verdadeiros milagres. Então, sem muitas opções atuais, os clássicos conseguem nos manter vivos e com o que se entreter. George Lucas, criativo criador desta série e de Star Wars e amigo de Spielberg, o diretor dos filmes, sendo que já foi anunciado o quarto (aguardamos ansiosamente), muito provavelmente ele não terá o brilho do primeiro filme da série, que costuma ser o melhor na maioria das séries (Tese? O Poderoso Chefão. Antítese? O Senhor dos Anéis – gosto mais do último).

Mais algumas linhas sobre o roteirista: Lucas está entre os melhores roteiristas de filmes de fantasia/aventura, com certeza, além de ser um bom diretor, com a maioria dos filmes da série Star Wars no currículo, incluindo o ótimo último episódio feito. A saga Indiana Jones, um marco nos filmes de aventura, não seria a mesma sem as mãos de Lucas e Spielberg (que comento no próximo parágrafo).

Tudo bem que o filme possui uma série interminável de estereótipos, mas são estereótipos manipulados pelo mestre Steven Spielberg, ele também é o responsável pelos maravilhosos finais estereotipados de Minority Report e A.I. Alguns dizem que o diretor possui “síndrome de Peter Pan” e só produz filmes família, mas deve-se lembrar seu último trabalho, Munique, alardeado e aguardado, polêmico e comentado em todo quanto, que recebeu classificação etária 16 anos. Mas também há o exemplo de E.T, onde Spielberg editou, editou, editou e editou mais o filme até ficar satisfeito, sendo que substituir revólveres por inocentes walkie-talkies nas mãos de policiais foi uma das modificações. Já Guerra dos Mundos é algo mais alternativo, pois não mostra sangue (pelo menos não saindo das pessoas) mas possui cenas com E.T.s e seus tripods desintegrando pessoas na frente das câmeras. Indiana Jones está no mesmo lugar que o filme com Cruise, pois mostra rostos ensangüentados, corpos ressecando em tempo recorde ou então atingidos por incontáveis flechas nas costas. Enfim, chega a ser mais violento que o outro, nada que atrapalhe ou seja nojento. Mais uma palavra sobre Spielberg: é mais do que genial substituir cobras que faltam por pernas de calças antigas e encurtar uma longa batalha com um tiro. E ficou até melhor assim, afinal, um grande arqueólogo como Indiana Jones tem mais o que fazer do que ficar lutando com árabes de turbante preto.

Com uma ótima atuação de Harrison Ford, que deve alternar entre o professor Indiana Jones e o arqueólogo icônico Indy (icônico sim, o personagem se tornou símbolo dos persistentes profissionais, mesmo que passar horas escavando, polindo e lixando pedras esteja muito, muito longe do que aparece no filme), como a barba faz diferença! No primeiro filme da série Indy, após encontrar e perder um ídolo de ouro e ser perseguido numa floresta pela famosa bola gigante de pedra, o arqueólogo é contratado para achar a Arca da Aliança, onde, segundo o livro mais vendido do mundo, a Bíblia, estão escondidos os pedaços das Tábuas da Lei originais, que Moisés quebrou ao ver o bezerro de ouro. Mas, como diz a lenda que o exército que portar a Arca será invencível, alguém mais está atrás da relíquia: o próprio Adolf Hitler.

Pela sinopse percebe-se, a partir daí já existem vários clichês e um claro maniqueísmo seguindo a velha história de “americanos bons, alemães maus”, mas como disse, Spielberg é um mestre do cinema e sabe conduzir clichês, isso é uma verdadeira raridade, enfim, Steven Spielberg sabe o que faz e conseguiu criar um dos melhores filmes de aventura já feitos, aguardo ansiosamente para assistir aos outros dois filmes da série e mais ainda para que o quarto episódio seja feito, Spielberg, não decepcione seus fãs! E, apesar dos montes de clichês, o filme apresenta uma mulher decidida como raramente se vê, agora eu só me lembro de Leslie, de Assim Caminha a Humanidade, que se pareça com Marion, a personagem citada.

Quanto às atuações, estão todas exemplares, Harrison Ford no papel principal está em ótima forma e, mesmo que não estivesse, o carisma do personagem pode ocultar uma eventual má-interpretação (mesma coisa de Harry Potter, mas este não me engana). Interpretando Marion está a desconhecida Karen Allen, com algumas cenas memoráveis que pôde colocar em seu currículo (incluindo uma competição de bar, uma briga de bar e estar á bordo de um avião avariado com a porta emperrada durante uma luta entre Indy e um nazista. Todas as outras atuações estão exemplares, Paul Freeman, como Belloq, John Rhys-Davies o Sallah e Alfred Molina (Sapito).

Os aspectos técnicos também estão invejáveis, começando pelos efeitos especiais, inovadores para a época e que ainda compõem grande parte da diversão do filme, partindo da já citada decisão de Spielberg de colocar tecido no meio das cobras até a cena da explosão do avião onde Marion estava. Vinte e cinco anos atrás as explosões não eram tão mentirosas, com um close nos personagens voando pelos ares em bullet-time e o fogo ao fundo. Tinha tudo para dar errado, nas mãos de qualquer outro diretor o filme estaria perdido, seria extremamente “Rambolike”, considerando que, se George Lucas pedisse para outra pessoa escrever o roteiro em cima do plot inicial, provavelmente Jones venceria a Segunda Guerra sozinho e ainda levaria Marion e a Arca da Aliança para casa. Enfim, não temos do que reclamar com um filme desses. //87/100

 



Escrito por Gabriel Apolinário às 10:28:50
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Era Uma vez No Oeste (C'era Una Volta Il West, 1968) Dir.: Sergio Leone


 

A ópera de violência do diretor Sergio Leone, ponto inicial de um nova trilogia depois de Por Um Punhado de Dólares, Por Alguns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito, este filme só surgiu por causa de Era Uma vez Na América, quando Leone quiz dirigí-lo, a produtora disse que só liberaria dinheiro caso o diretor fizesse outro faroeste, então ele resolveu criar outra trilogia, começando com este e terminando com Era Uma Vez na América, seu objetivo era retratrar três períodos históricos dos Estados Unidos, a parte central da trilogia é Quando Explode a Vingança.

O filme é longo e lento, no estilo de narrativa do diretor Leone, os créditos do filme aparecem numa longa introdução durante os 14 minutos iniciais do filme, sons naturais são amplificados para conceber uma trilha sonora, pois nenhuma era adequada para a cena, moscas voando, uma goteira, um trem ensurdecedor, os nomes do elenco e um tiroteio, começamos o filme com três personagens mortos, uma longa introdução e um tiroteio numa ferrovia. Os 166 minutos demoram a passar, o diretor esticou cada segundo para encaixar tudo o que ele precisava em cada um deles, o resultado não deixou o filme monótono, mas ainda lento, é como Menina de Ouro.

Reza a lenda que ninguém sabe se assistiu o filme todo, os filmes de Leone são longos demais e milhares de cortes e adições são feitas ao longo das eras, numa das versões foram cortadas todas as cenas com o Barman, personagem de Lionel Stander, cenas muito importantes que introduzem os personagens Gaita e Cheyenne e mostram diálogos muito interessantes entre todos os personagens. É uma cena que merece ser debulhada, cada letra proferida, cada movimento e o que se esconde nas entrelinhas. Outra cena excluída foi a cena final, que extirpa todo o significado do filme. Mas eu assisti a versão de 165 minutos do filme, acompanhei estas duas cenas e imagino a falta que elas fariam.

A narrativa inconfundível de Sergio Leone cria um western ao mesmo tempo igual e diferente de todos os outros do gênero (western spaghetti, criado pelo próprio diretor), é algo difícil de entender, sendo necessário assistir para compreender como algo pode ser tão literalmente barroco (a arte barroca se baseava, entre outras coisas, na justaposição de completos opostos). O filme também é político, diálogos sobre a arma mais poderosa ($), discussões sobre a construção de uma ferrovia, burocracia, empecilhos, Gabriele Ferzetti sendo "apagado", entre outras milhares de coisas incluídas na política, alguns podem dizer que não consideram o filme político e que qualquer filme possui algo de político, até Shrek, eu sou um desses, embora este lado da película esteja pronunciado e claramente à vista.

Um filme às vezes complicado, em todas envolvente e que no final passa a sensação de que participamos de algum grande acontecimento, neste caso, a construção das ferrovias e a influência delas na América, que influenciaram a vida de todos e os guiaram para qualquer lugar até a Depressão, quando cada um tinha um veículo e não precisava mais da estrada de ferro, exceto para longas viagens. Como está escrito na capa do DVD, é "do começo ao fim, uma DANÇA DA MORTE", entre outras coisas, diz que todos os personagens, com excessão de Claudia Cardinale, tinham certeza de que não chegariam ao final vivos, Sergio Leone quis passar a imagem dos últimos suspiros de um homem, para ele, é algo lento, calmo e simultaneamente agitado e barulhento. Chuck Palahniuk, escritor do livro no qual Clube da Luta se baseou, deve achar que é algo mais rápido e a personagem de Helena Bonham Carter pensa ser como uma tosse, estão todos ali apenas esperando pela morte, apenas isso, chegar ao final é a melhor coisa que eles podem querer.
A sinopse: Na década de 1870, o bando do perverso Frank mata a família de Brett McBain, com excessão de sua mulher, que estava voltando de uma viagem a New Orleans, ela, Jill, chega e vê sua família morta, é deixada no local a assinatura de Cheyenne, chefe de um outro bando.É um roteiro complicado e fica mais ainda quando se assiste ao filme, apesar de parecer clichê á primeira vista.

E a trilha sonora: o filme só possui quatro músicas, uma para Claudia Cardinale (Jill), outra para Henry Fonda (Frank), uma outra para Jason Robards (Cheyenne) e uma última para Charles Bronson (Gaita), se misturando quando estes personagens estão juntos, um magnífico trabalho que não deixa a trilha repetitiva. As atuações estão todas igualmente magníficas, começando por Claudia Cardinale e sua carismática personagem, Charles Bronson também, Jason Robards foi uma decisão acertada de Leone e nem todos sabiam se ele era a pessoa certa no papel. Henry Fonda como o vilão foi uma decisão irônica de Leone que queria que as pessoas vissem o assassino de McBain e dissessem "Jesus Christ, is Henry Fonda!" Gabriele Ferzetti também está perfeito como o político controlador e Lionel Stander, em sua pequena aparição, é muito carismático.

Nota: Foi mal-recebido pela crítica e só agradou em Paris, onde passou mais de um ano em cartaz.

Nota: 98/100



Escrito por Gabriel Apolinário às 09:41:37
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OSCAR

Enquanto aguardamos a entrega do Oscar, mesmo tendo 90% de certeza de que Brockeback Mountain vai ganhar (ano passado foi a mesma coisa com o filme de Scorsese e Menina de Ouro levou a estatueta), publico a lista de todos os filmes que já ganharam o prêmio mais importante do mundo da cinema.

"Asas" (1928)
"Melodia da Broadway" (1929)
"Sem Novidades no Front" (1930)
"Cimarron" (1931)
"Grande Hotel" (1932)
"Cavalcade" (1933)
"Aconteceu Naquela Noite" (1934)
"O Grande Motim" (1935)
"Ziegfeld, O Criador de Estrelas" (1936)
"A Vida de Émile Zola" (1937)
"Do Mundo Nada Se Leva" (1938)
"...E o Vento Levou" (1939)
"Rebecca" (1940)
"Como Era Verde Meu Vale" (1941)
"Rosa da Esperança" (1942)
"Casablanca" (1943) OK
"O Bom Pastor" (1944)
"Farrapo Humano" (1945)
"Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (1946)
"O Sol é para Todos" (1947)
"Hamlet" (1948)
"A Grande Ilusão" (1949)
"A Malvada" (1950)
"Sinfonia em Paris" (1951)
"O Maior Espetáculo da Terra" (1952)
"A um Passo da Eternidade" (1953)
"Sindicato de Ladrões" (1954)
"Marty" (1955)
"A Volta ao Mundo em 80 Dias" (1956)
"A Ponte do Rio Kwai" (1957)
"Gigi" (1958)
"Ben-Hur" (1959)
"Se Meu Apartamento Falasse" (1960)
"Amor, Sublime Amor" (1961)
"Lawrence da Árabia" (1962)
"As Aventuras de Tom Jones" (1963)
"My Fair Lady" (1964)
"A Noviça Rebelde" (1965)
"O Homem que Não vendeu sua Alma" (1966)
"No Calor da Noite" (1967)
"Oliver" (1968)
"Perdidos na Noite" (1969)
"Patton, Rebelde ou Herói?" (1970)
"Operação França" (1971)
"O Poderoso Chefão" (1972/1974)
"Golpe de Mestre" (1973)
"Um Estranho no Ninho" (1975)
"Rock" (1976)
"Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977)
"O Franco Atirador" (1978)
"Kramer Vs. Kramer" (1979)
"Gente como a Gente" (1980)
"Carruagens de Fogo" (1981)
"Gandhi" (1982)
"Laços de Ternura" (1983)
"Amadeus" (1984)
"Entre Dois Amores" (1985)
"Platoon" (1986)
"O Último Imperador" (1987)
"Rain Man" (1988)
"Conduzindo Miss Daisy" (1989)
"Dança com Lobos" (1990)
"O Silêncio dos Inocentes" (1991)
"Os Imperdoáveis" (1992)
"A Lista de Schindler" (1993)
"Forrest Gump" (1994)
"Coração Valente" (1995)
"O Paciente Inglês" (1996)
"Titanic" (1997)
"Shakespeare Apaixonado" (1998)
"Beleza Americana" (1999)
"Gladiador" (2000)
"Uma Mente Brilhante" (2001)
"Chicago" (2002)
"O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei" (2003)
"Menina de Ouro" (2004)



Escrito por Gabriel Apolinário às 09:35:18
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O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998) Dir.: Steven Spielberg


Atenção: Contém spoilers
Pode ser chamado de "A resposta de Spielberg a Apocalypse Now", pois este é o completo oposto do filme de Coppola, no filme de Spielberg, o capitão John H. Miller desembarca no fatídico Dia D (6 de junho de 1944) na Normandia para tomar Omaha Beach (que está em posse de alemães) para que as tropas aliadas a usem como ponto de entrada para a guerra. Ao mesmo tempo uma secretária percebe a repetição do nome Ryan nos papéis de baixa e leva ao Chefe do Estado Maior, que decide resgatar o membro restante da família Ryan mesmo sem saber se ele ainda estava vivo, para esta missão, são enviados 8 homens sob o comando do capitão Miller, os oito homens discutem se vale a pena arriscar suas vidas para resgatar apenas uma. É uma premissa interessante, o roteirista Robert Rodat teve esta idéia depois que nasceu seu primeiro filho, onde ele morava havia uma memorial aos mortos em guerras e era comum ver sobrenomes repetidos lá, então ele pensou como seria receber telegramas sobre a morte dos filhos do mesmo dia.
Já Apocalypse Now é sobre o tenente Benjamim Willard que é destinado a matar o soldado aliado Kurtz que assassinou sem permissão outro aliado por considerá-lo um espião.

Enquanto Spielberg diz que não há glamour nenhum em fazer um filme de guerra, que seu pai lhe contava as histórias de quando ele serviu no exército e elas não eram nem um pouco épicas, ele apenas queria passar todas as visões, barulhos e cheiros da guerra com seu filme, a equipe de produção do filme diz que quanto mais se debulha as histórias de guerra, o número de conflitos diminui, os horrores da guerra são mostrados para que não aconteçam mais. A história de Coppola é épica, um serviço ininteligível, Willard conhece Kurtz por meio de uma fita e papéis, sem conseguir ligar o soldado brilhante das fotos à voz assustadora da fita.

Os dois filmes correm em direções opostas (Miller deve resgatar Ryan e Willard deve matar Kurtz), no início de Apocalypse Now o capitão Willard discorre sobre Saigon e o estado mental em que está, precisa urgentemente de uma missão ou definhará até a morte sem ter o que fazer para impedir, o filme de Spielberg começa com uma cena de ação, a tomada de Omaha Beach (que hoje é patrimônio histórico da Alemanha), tecnicamente falando a cena (e o resto do filme) é perfeita, principalmente por causa da trilha sonora (os tiros, gritos, etc., que podem ser considerados como trilha sonora), a linda fotografia, montagem e todos os outros aspectos, logo que o barco chega à costa, o Eixo começa a alvejar a todos, muitos nem saíram dos barcos, em alguns barcos não houve nenhum sobrevivente, todos massacrados pelo poder de fogo e o fator surpresa, o pequeno grupo sobrevivente tem que fazer seu trabalho. Todos os sobreviventes estão finalmente fora de seus barcos, lutando, o capitão Miller fica estarrecido com a cena, vê tudo aquilo, sangue espalhado, morte, estava face a face com a morte a alguns centímetros de distância, ali, todos passaram ou estão passando por isso, ele olha ao redor, não ouve nada, vê um soldado sem um braço, ele se abaixa, pega seu braço e continua andando como se aquilo fosse algo normal.

Nesta parte principalmente e em milhares de outras partes a câmara é algo indispensável para que tudo corra bem, muitas vezes Spielberg percorria o set com a câmera e filmava assim, como se o próprio espectador fosse um soldado. A experiência em filmes de guerra de Spielberg vem desde quando ele era adolescente, baseado nas histórias que o pai contava ele fez seus próprios filmes de guerra, o pai conseguia permissão para eles filmarem em aeroportos com aviões de guerra de verdade e o jovem diretor misturava as cenas filmadas com cenas de documentários de guerra vendidos nas lojas de fotografia, durante anos em seus filmes de ação/guerra ele aprendeu um jeito de narrar, um jeito próprio de contar uma história, ainda que este tenha sido um jeito muito dramático, que alcança o limite com o groundbreaking (alguém, por favor, consiga uma tradução adequada para essa palavra) A Lista de Schindler. O sentimentalismo exagerado se evidencia nas cenas em que os soldados contam suas histórias, em geral são histórias que eles gostam de se lembrar, só o lugar em que eles estão já é horripilante, eles não estão em Omaha ou onde quer que seja, eles estão na GUERRA e isso é tudo, isso é suficiente para deixar qualquer lembrança triste um pouco melhor, quando nada se compara à guerra.

As atuações estão boas, Tom Hanks, muito bom ator, está como sempre, encarnou o personagem. Matt Damon não chega a tanto, mas ele também merece destaque, seu personagem está em conflito e o patriotismo exagerado de Ryan é algo importante no filme (outro momento dramático), foi por culpa dele que muita coisa aconteceu e deixou de acontecer na história. Todos os outros atores estão igualmente únicos.

Nota: 87/100


 



Escrito por Gabriel Apolinário às 10:35:41
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Indicados ao 78ª entrega do Oscar

Melhor Filme

Boa Noite e Boa Sorte
Capote
Crash
Munique
O Segredo de Brokeback Mountain

Melhor Direção

Ang Lee, O Segredo de Brokeback Mountain
Bennett Miller, Capote
George Clooney, Boa Noite e Boa Sorte
Paul Haggis, Crash - No Limite
Steven Spielberg, Munique

Melhor Ator

David Strathairn, Boa Noite e Boa Sorte
Heath Ledger, O Segredo de Brokeback Mountain
Joaquin Phoenix, Johnny e June
Philip Seymour Hoffman, Capote
Terrence Howard, Hustle & Flow

Melhor Atriz

Charlize Theron, Terra Fria
Felicity Huffman, Transamérica
Judi Dench, Sra. Henderson Apresenta
Keira Knightley, Orgulho e Preconceito
Reese Whiterspoon, Johnny e June

Melhor Ator Coadjuvante

George Clooney, Syriana
Jake Gyllenhaal, O Segredo de Brokeback Mountain
Matt Dillon, Crash - No Limite
Paul Giamatti, A Luta Pela Esperança
William Hurt, Marcas da Violência

Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams, Junebug
Catherine Keener, Capote
Frances McDormand, Terra Fria
Michelle Williams, O Segredo de Brokeback Mountain
Rachel Weisz, O Jardineiro Fiel

Melhor Roteiro Adaptado

Capote
O Jardineiro Fiel
Marcas da Violência
Munique
O Segredo de Brokeback Mountain

Melhor Roteiro Original

Boa Noite e Boa Sorte
Crash - No Limite
A Lula e a Baleia
Ponto Final
Syriana

Melhor Direção de Arte

Boa Noite e Boa Sorte
Harry Potter e o Cálice de Fogo
King Kong
Memórias de uma Gueixa
Orgulho e Preconceito

Melhor Figurino

A Fantástica Fábrica de Chocolates
Johnny e June
Memórias de uma Gueixa
Orgulho e Preconceito
Sra. Henderson Apresenta

Melhor Fotografia

Batman Begins
Boa Noite e Boa Sorte
Memórias de uma Gueixa
O Novo Mundo
O Segredo de Brokeback Mountain

Melhor Maquiagem

As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
A Luta Pela Esperança
Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith

Melhor Montagem

Crash - No Limite
O Jardineiro Fiel
Johnny e June
A Luta Pela Esperança
Munique

Melhor Som

As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
Johnny e June
King Kong
Memórias de uma Gueixa
Guerra dos Mundos

Melhor Edição de Som

King Kong
Guerra dos Mundos
Memórias de uma Gueixa

Melhores Efeitos Visuais

As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
King Kong
Guerra dos Mundos

Melhor Canção Original

"In the Deep", de Crash - No Limite
"Travelin` Thru", Transamérica
"It's hard Out There for a Pimp", de Hustle & Flow

Melhor Trilha Sonora Original

O Jardineiro Fiel
Memórias de uma Gueixa
O Segredo de Brokeback Mountain
Orgulho e Preconceito
Munique

Melhor Animação

O Castelo Animado
A Noiva-Cadáver
Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais

Melhor Filme Estrangeiro

Don't Tell (Itália)
Paradise Now (Palestina)
Joyeux Noël (França)
Uma Mulher contra Hitler (Alemanha)
Tsotsi (África do Sul)

Melhor Documentário

Darwin's Nightmare
Enron: The Smartest Guys in the Room
A Marcha dos Pingüins
Murderball
Street Fight

Comentários: Misteriosamente, apenas 3 canções foram indicadas. Este é o primeiro ano sem Disney entre as melhores animações. 2 Filhos de Francisco não foi indicado (eu nem esperava nem gostaria), mas pelo menos o filme rendeu uma boa história (o presidente Lula disse para a dupla de cantores que não assistiu o filme todo, dormiu no meio, quando eles disseram que não gostaram do presidente ter assistido o filme em um DVD pirata). Brokeback Mountain levou 8 indicações, seguido por Bopa Noite e Boa Sorte, Crash e Memórias de Uma Gueixa (6) e o novo de Spielberg, Munique, ficou com 5 indicações, ao lado de Capote e Johnny e June.



Escrito por Gabriel Apolinário às 10:53:02
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